Alterações motoras no Transtorno do Espectro Autista

Já falamos aqui no Blog sobre o desenvolvimento motor típico (desenvolvimento dentro dos padrões esperados de normalidade), hoje vamos falar sobre as principais alterações motoras encontradas no TEA.

Apesar das disfunções motoras não estar entre os critérios diagnósticos para Autismo no DSM-V, há um grande índice de alteração nessa população. A causa provável da manifestação de distúrbio motor tem origem nas conexões anormais entre os neurônios. Estima-se que aproximadamente 80% das crianças com autismo apresentem dificuldade nas habilidades motoras.

Acredita-se que as alterações motoras sejam um dos sinais mais precoces de TEA. São sinais que podem ser observados muito cedo e que devem despertar o sinal de alerta da equipe de saúde e da família, como por exemplo, atraso no desenvolvimento do controle e ajuste postural, diminuição ou falta dos reflexos primitivos e baixo tônus.

Além disso, quando a criança não recebe a intervenção precoce adequadamente as consequências podem refletir em uma fase mais tardia ou até mesmo na fase adulta. Por isso é comum identificar crianças mais velhas com TEA com problemas no controle motor básico, como falta de coordenação global e de membros, controle postural pobre, lentidão das respostas motoras, marcha “desajeitada” e tônus muscular alterado.

Alguns exemplos de alterações motoras comuns no TEA:

Hipotonia (baixo tônus e força muscular), capacidade de sustentar a cabeça, dificuldades ao sentar sem apoio, sentar entre as pernas (sentar em W), dificuldade para engatinhar, tendência de andar nas pontas dos pés, dificuldade em correr, jogar bola, subir e descer escadas, pular corda, escovar os dentes, pular objetos pequenos, pedalar triciclo, pular em um só pé, andar numa bicicleta, falta de percepção do seu corpo no espaço, alterações de equilíbrio, dispraxia (disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente), dificuldade para escrever e até mesmo para falar, além das alterações sensoriais.

O papel do fisioterapeuta, nesses casos, é promover o desenvolvimento da criança, estimular a independência funcional e traçar juntamente com a família objetivos que visam à melhor qualidade de vida.

Vale sempre lembrar: Em caso de dúvida, procure um especialista.

Até breve,

Grazielle Muniz Gobetti

Fisioterapeuta

Compartilhe isso:Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *