Exames auditivos: qual a importância na infância?

Nessa semana quero conversar com vocês sobre a importância das avaliações audiológicas na pequena infância. Porque esse tema?

Temos conversado aqui sobre diferentes condições que afetam o desenvolvimento da linguagem levando sobretudo a atrasos da comunicação verbal, tais como: autismo, síndromes, apraxia, questões sensoriais, otites, entre outros. Porém saber se uma criança está em condições adequadas de saúde auditiva é muito importante para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação verbal.

O fonoaudiológico normalmente conversa com os pais sobre a saúde auditiva de seus pequenos e os pais são quase unânimes em referir que seus filhos ouvem bem. Então vamos lá, quais são as avaliações audiológicas por quais as crianças devem passar na pequena infância para saber das reais condições auditivas?

Teste da Orelhinha. O teste da orelhinha é obrigatório por lei e deve ser feito ainda na maternidade, normalmente após as primeiras 24 horas do nascimento. Serve para avaliar a audição e detectar precocemente algum grau de surdez no bebê. O exame é indolor e é feito enquanto o bebê está dormindo. O fonoaudiólogo coloca um aparelho de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA), que produz estímulos sonoros leves e mede o retorno desses estímulos advindos das estruturas do ouvido interno, a cóclea.

 

– Provas de Impedanciometria e Timpanometria: são procedimentos que permitem a avaliação das condições da orelha média e externa, além da avaliação da via auditiva periférica quando é realizada a pesquisa dos reflexos acústicos. Não é uma avaliação que permite informação sobre os níveis mínimos de audição, mas sim sobre as condições da orelha média para que os resultados das demais avaliações não sejam por ela afetados. São exames que podem ser realizados desde o nascimento, mas no caso de bebês até os seis meses de idade, as diferenças anatômicas devem ser levadas em consideração na hora do registro.

 

– Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE): possibilita o registro e informação sobre a sincronia neural para condução do estímulo sonoro pela via auditiva periférica. Nesta avaliação, são analisados os registros dos potenciais captados por meio de eletrodos posicionados na face do bebê/criança avaliado. Em seguida, é realizada uma análise do traçado gerado pela estimulação auditiva, registrado pelo computador. Observam-se os valores dos picos de onda para cada registro, a reprodutibilidade dos mesmos e a latência com que ocorrem. É um exame que depende da condição neural e dos processos de maturação. Para a realização do exame, é necessário que o bebê/criança esteja dormindo, ou em alguns casos, que esteja sedado para a obtenção dessas respostas, uma vez que o estado de alerta pode prejudicar a validade e o registro desta informação. Podem ser obtidos registros com estímulos eliciados pela via aérea e pela via óssea. Tanto o PEATE como as EOAs são afetadas por patologias da orelha média, que provocam a perda auditiva condutiva.

 

– Audiometria com auxílio do reforço visual (VRA): trata-se de uma técnica de avaliação subjetiva, uma vez que depende da resposta da criança. É o exame extremamente importante, que permite a investigação do uso da informação auditiva pela criança, qual o comportamento para os menores níveis de intensidade para sons em diferentes frequências.

 

Será que seu filho já fez alguma dessas avaliações? É somente com elas que podemos ter certeza da qualidade auditiva da criança. Elas se tornam extremamente importantes nos casos em que a criança apresenta atraso no desenvolvimento da linguagem verbal, pois são avaliações que excluem problemas auditivos permitindo que o fonoaudiólogo possa ser mais assertivo no planejamento da sua terapia.

 

Caso tenha ficado em dúvida quanto a audição de seu filho, não deixe de procurar um médico otorrinolaringologista para realizar tais exames. Assim como a saúde geral de uma criança é vista mês a mês com as idas ao pediatra, seria importante que ao menos uma vez ao ano os pais procurassem saber sobre a saúde auditiva de seus pequenos.

 

Até o próximo post.

 

Abraços,

Fabiane Klann Baptistoti

Fonoaudióloga

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