Como estimular o desenvolvimento das funções executivas – parte 2

Dando seguimento ao tema sobre como podemos estimular o desenvolvimento das funções executivas, nessa semana trago atividades que podem ser realizadas a partir dos 5 anos.  Daqui para frente pouca coisa irá mudar em termos de atividades, o que mudam são as exigências. Então vamos as atividades!

Dos 5 aos 7 anos:  Nessa idade as crianças começam a se interessar por jogos com regras. É importante realizar jogos que proponham desafios e estimulem diferentes habilidades. Aos 7 anos a criança deve ser capaz de lidar com abstrações, ou seja, seu pensamento já conseguiu criar imagens mentais suficientes, vocabulário amplo e capacidade de evocar coisas sem a necessidade de vê-las para elaborar algo sobre elas ou com elas. O adulto aos poucos vai ficando como mediador de alguma situação de conflito e deixando que as próprias crianças estabeleçam as regras, e lembrem-se de cumpri-las. Jogos de combinar cartões ou jogos de tabuleiro são excelentes para trabalhar com a memória de trabalho. Bons exemplos são os já conhecidos jogos de memória e dominó. Jogos como Uno são bons para trabalhar a flexibilidade cognitiva e os jogos que exigem resposta rápida são bons para o controle inibitório. Exemplos desses jogos são: Charada, Quest, Bomba, Kaleidos, Desafio, Perfil entre outros. Os jogos que combinam atividade física com atividade mental são muito bons para trabalhar o equilíbrio mente-corpo. Dentre eles estão: futebol, yoga e taekwondo, estes dois últimos também ajudam as crianças a desenvolver a sua capacidade de focar a atenção e controlar ações (controle inibitório). Os jogos de imitação, como por exemplo, Imagem e Ação estimulam a memória de trabalho, pois quem imita precisa manter  nesta o modelo a ser executado. Nessa linha de pensamento também a música com os pedaços que se repetem desafiam a memória de trabalho. Jogos como o quebra-cabeça exercitam a atenção e melhoram a habilidade para resolver problemas.

Dos 7 aos 12 anos:Nessa faixa etária podemos continuar com os jogos já colocados acima, porém devemos aumentar a dificuldade proporcionando maiores desafios, sem tornar impossível sua realização. As crianças desta idade também gostam de jogos mais complexos que envolvem  fantasia. Estes requerem que as mesmas mantenham na memória de trabalho complexas informações sobre locais visitados no mundo imaginário, regras sobre como os personagens e os materiais podem ser utilizados, e a estratégia para atingir metas auto-determinadas. Minecraft é um bom jogo de computador para  trabalhar a criatividade, a fantasia e o planejamento. Dentre os jogos de tabuleiro temos os mais antigos com novas versões: Batalha Naval, Resposta Mágica, NonSense, Can-can, Soletrando e Rumikubi.

Para os adolescentes: Nessa fase as habilidades de função executiva estão com uma demanda  intensa. Adolescentes precisam se comunicar efetivamente em diferentes contextos, precisam aprender a gerenciar suas próprias atividades escolares e compromissos extracurriculares, tudo isso com garantia de sucesso. Para focar no planejamento faz-se necessário que o adolescente tenha clareza de algumas coisas tais como: modo de estudar para uma prova, como escolher uma universidade, saber como se inscrever para um serviço de estágio, etc. Nessa idade é importante estimular o adolescente a manter sempre em mente seus objetivos e conseguir realizar um auto-monitoramento de ações. Estimular conversas para trocas de ideias e reflexões a cerca do seu fazer pode levar o mesmo ao seu auto-conhecimento e assim ajuda-lo a modificar suas condutas quando necessário. Fazer um calendário de ações a serem cumpridas no mês, manter organizada a agenda de compromissos pode ser uma boa dica para que o planejamento e o controle das atividades ocorram com eficiência.

Enfim temos muitas possibilidades de auxiliar no desenvolvimento das funções executivas de nossas crianças e adolescentes minimizando os conflitos naturais que virão com o passar dos anos e com o aumento das responsabilidades que são inerentes ao crescimento humano.

Agora é com vocês, mãos à obra!

Fabiane Klann Baptistoti – Fonoaudióloga Clínica

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