Como identificar possíveis sinais de Transtorno do Processamento Sensorial na sala de aula.

O Transtorno do Processamento Sensorial – TPS, assunto já discutido aqui no blog, volta a ser tema dessa semana tendo em vista o que tenho ouvido de professores sobre a hiperatividade e agitação de seus alunos.

As crianças durante seu desenvolvimento podem apresentar diferentes comportamentos que muitas vezes tem relação com o seu dia. Temos que ter cuidado quando analisamos  comportamentos  como excesso de movimento, euforia, distração, passividade, problemas como falta de coordenação motora fina ou ampla, olhamos como algo normal do neurodesenvolvimento, ou em outros extremos damos nome ao que não temos certeza.

Transtorno do Processamento Sensorial diz respeito a uma desorganização na forma como as diferentes regiões cerebrais recebem e processam as informações vindas dos receptores sensoriais (audição, visão, tato, olfato, proprioceptivo, vestibular e gustativo), interpretando estes estímulos de modo “errôneo” para mais (hiper) ou para menos (hipo). Essa interpretação errônea leva a criança a desmodular-se no ambiente não conseguindo organizar-se para permanecer no mesmo ou realizar uma atividade.

Em sala de aula é possível encontrar crianças com alguns comportamentos tais como:

– não consegue permanecer sentado seja no chão ou na cadeira a ponto de cair com frequência da mesma;

– movimentar-se constantemente quando sentado;

– é desorganizado, desajeitado e distraído;

– a atenção é curta;

– baixa tolerância à frustração evitando desafios e novas atividades;

– constante irritação;

– agir impulsivamente;

– empurra os colegas como se quisesse atenção deles;

– dificuldade para realizar atividades de pintura, colagem, argila;

– apresenta traçado fraco, irregular e desalinhado;

– linguagem imatura para a idade;

– insegurança, isolamento e timidez

– desinteresse em certas atividades,

– passividade excessiva.

Estes comportamentos podem ser indicativos de TPS. Quando identificamos tais sinais em nossos pequenos é importante que saibamos para quem encaminhar. Normalmente pensamos no Neurologista. Não está errado, porém há hoje outro profissional que precisa ser consultado que são os Terapeutas Ocupacionais com habilitação em Integração Sensorial, este profissional é o melhor apacitado para fazer uma avaliação e nos dar o feed-back de cada caso.

Esses sinais certamente são encontrados em muitas crianças e podem indicar vários quadros (sinais de Autismo, de Apraxia, de TDAH, por exemplo), e até mesmo de quadros relacionados a transtornos emocionais (depressão e ansiedade).

 A intenção aqui é apenas chamar a atenção dos professores para que possam pensar no Transtorno do Processamento Sensorial como algo que está por traz desses comportamentos, evitando  olhar para a criança sempre como hiperativa ou desatenta.

TPS é uma condição que precisa ser adequadamente tratado tendo em vista os atrasos no processo de desenvolvimento e aprendizagem que essa criança pode apresentar. Muitos profissionais podem estar envolvidos de alguma forma no tratamento sob orientação de um terapeuta ocupacional. O importante é ampliar nosso olhar e buscar informação.

Até a próxima semana,

Fabiane Klann Baptistoti  – Fonoaudióloga Clínica

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