Desenvolvimento das Funções Executivas

Dando continuidade ao tema sobre as Funções Executivas hoje quero conversar com vocês sobre o desenvolvimento das mesmas, mas antes vamos lembrar rapidamente do que se trata. Funções Executivas trata-se de um grupo de habilidades mentais que nos permite processar as informações e gerenciar o que acontece ao nosso redor, através do desenvolvimento do autocontrole, construindo um pensamento de forma a minimizar o ensaio-erro, equilibrando nossas emoções e planejando nossas ações para que ao final possamos verificar de forma analítica o produto final. Fazem parte das funções executivas de base o controle inibitório, a memória de trabalho e a flexibilidade cognitiva.

Pois bem, após recordar nossas habilidades vamos conhecer em que idade elas começam a se desenvolver.

  • Controle inibitório: aparece por volta da metade do primeiro ano de vida, sendo que ao final do primeiro ano o bebê já apresenta foco em algum tipo de tarefa, mesmo que apresente pequenas distrações. É capaz de sustentar o foco em uma atividade de empilhar peças, manipular uma bola, encaixes e empurrar um carrinho. Entre 4 e 5 anos de idade a criança desenvolve a capacidade de inibir comportamentos impulsivos ao tentar resolver uma tarefa, bem como inibir comportamentos indesejados. Ela passa a fazer uma primeira forma de análise para tentar resolver algo. Aos 7 anos há o desenvolvimento da capacidade de lidar com distratores que estejam no ambiente, focando nas informações que realmente fazem sentido para realizar uma atividade. Aos 10 anos há o aumento do autocontrole tornando a criança capaz de lidar com vários estímulos ao mesmo tempo.
  • Memória de Trabalho: aos 10 meses o bebê é capaz de executar tarefas simples orientadas a objetos mesmo que haja necessidade de cumprir etapas (pelo menos 2 etapas). No final do primeiro ano de vida o bebê consegue ter a noção de permanência do objeto por ter desenvolvido a capacidade de criar e manter uma representação mental de um objeto na ausência física do mesmo, ou seja, é capaz de procurar um objeto que acabou de ser escondido. Aos 3 anos a criança já é capaz de manter em mente até duas regras. Dos 3 aos 5 anos mostram-se cada vez mais eficazes em armazenar e lidar com informações mentalmente. Isso acontece devido ao grande desenvolvimento da linguagem e pela ampliação do vocabulário. Entre 5 e 16 anos há o aumento da habilidade de manter informações em mente e usar tais informações para orientar o seu comportamento.
  • Flexibilidade cognitiva: no final do primeiro ano de vida os bebês tentam diferentes formas de solucionar problemas quando uma primeira tentativa não funciona, como por exemplo, como irão buscar um objeto que caiu. Buscam ainda por tentativa e erro, mas não desistem facilmente. Dos 2 aos 5 anos adequam seu comportamento a diferentes regras do ambiente, não demonstrando consternamento por ter que mudar uma primeira forma de ação que não deu certo. Aceitam com maior facilidade o que é novo. Dos 10 aos 12 anos continuam a adaptarem-se as regras e aos 18 anos desenvolvem habilidade de alternar o foco de atenção e adaptar seu comportamento ao contexto.

O desenvolvimento das funções executivas de base dependem de aspectos maturacionais relacionados à mielinização de estruturas e circuitos pré-frontais (lobo frontal que é um lobo motor e de ação) e suas conexões funcionais. Porém estas conexões também dependem de aspectos ambientais para completar seu desenvolvimento.

Como visto o desenvolvimento das mesmas inicia-se muito precocemente, já no primeiro ano de vida e parece encontrar seu ápice de desenvolvimento na adolescência. Na vida adulta não deixamos de desenvolvê-las, mas nosso cérebro já aprendeu a como lidar com as situações do dia a dia, exigindo de nós um posicionamento mais assertivo nas tarefas que devemos realizar.

Sendo assim é importante intervir expondo as crianças a atividades direcionadas, estruturadas para que consigam alcançar o mais cedo possível o desenvolvimento das mesmas, levando-as a economia de tempo na realização das atividades e maior assertividade.

Até semana que vem!

Fabiane Klann Baptistoti – Fonoaudióloga Clínica

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