Transtorno do Processamento Sensorial é algo sério

No post de hoje vou conversar com vocês a respeito de um tema que para muitos ainda é desconhecido.  Trata-se de algo com origem no funcionamento cerebral que traz como consequência uma inadaptação ambiental do indivíduo em alguns momentos da vida. Esta dificuldade atualmente é denominada TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO SENSORIAL – TPS.

Percebemos o mundo a nossa volta através do nosso sistema sensorial (órgãos dos sentidos) que captam as informações vinda do meio e as interioriza. Quando esse sistema a nível cerebral encontra-se alterado o acesso ao mundo fica perturbado impedindo-nos de realizar a correta percepção e interação.

TPS – sigla usada para referir à dificuldade que o cérebro encontra para processar informações através dos órgãos dos sentidos, ou seja, a visão, a audição, o tato, o olfato, o paladar e também o sistema vestibular e o proprioceptivo quando estes não respondem adequadamente a determinados estímulos vindos do meio. Isso acarreta uma desregulação no indivíduo representada por comportamentos fora do padrão.

Muitos de nós já vimos crianças autistas colocando as mãos nos ouvidos em ambientes barulhentos, ou muitas vezes diante de um estímulo sonoro que a nós parecia inofensivo. Já presenciamos também cenas em que a criança não consegue vestir determinado tipo de roupa, normalmente blusas com mangas compridas, levando-a a uma “birra”. Podemos também observar crianças que apresentam seletividade alimentar quando exposta a um alimento que não foi processado corretamente pelo cérebro podem apresentar vômitos. Poderia listar para vocês inúmeros exemplos de comportamentos que já presenciamos e que no primeiro momento pode aparentar frescura.

Porém não necessariamente precisamos falar de sujeitos que se encontram dentro do Espectro do Autismo para pensar em TPS. As pesquisas recentes feitas nos EUA mostram que há um elevado grupo de sujeitos que não são autistas, mas que apresentam tal desordem.

Os sujeitos com TPS sentem o mundo de modo diferente, às vezes as informações são percebidas de modo mais intenso, ou em outros momentos são percebidas de modo menos intenso. Referimos que estes sujeitos têm uma hipersensibilidade ou hiposensibilidade ao estímulo que incidiu sobre os órgãos dos sentidos.

O TPS atualmente é diagnosticado através de uma avaliação observacional seguindo alguns protocolos. É realizada por Terapeuta Ocupacional o qual também será responsável pelos devidos encaminhamentos para que o sujeito em questão consiga desenvolver-se.

Para ser considerado com TPS o indivíduo deve apresentar um continuum de reações frente a diferentes experiências sensoriais a ponto de tais experiências tornarem-se “perturbadoras”, gerando impacto negativo no desenvolvimento deste indivíduo.

Um alerta interessante é que nem sempre as reações serão as mesmas frente a um mesmo estímulo, e esse ponto é muito importante, pois pode levar os especialistas ou até mesmo os pais a ficarem em dúvida quanto ao diagnóstico.

Estar diante de um sujeito com TPS muitas vezes é como “pisar em ovos” não temos certeza exata do que pode acontecer frente à quantidade significativa de estímulos aos quais ele é exposto.

O que temos que fazer? Estudar cada vez mais sobre esse transtorno, respeitar o sujeito que o apresenta oferecendo-lhe o conforto necessário quando está desregulado e acima de tudo buscar novas possibilidades de fazer o cérebro reorganizar-se através de terapias estruturadas.

Até a próxima semana,

Fabiane Klann Baptistoti Sá – Fonoaudióloga Clínica

 

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6 comentário em “Transtorno do Processamento Sensorial é algo sério

  1. Tenho um filho autista de 5 anos. Hoje, descobri que ele tem isso na consulta com a neuro. Ela o encaminhou para a TO. Lucas tem esse problema com blusas de manga comprida e eu sempre achei que era frescura. Vou ler mais a partir de hoje, pois eu pensava que isso era só em relação aos barulhos

    1. O transtorno sensorial pode atingir todos ou somente alguns sentidos. É importante conhecer a fundo a sua criança e seguir a orientação da equipe para que, aos poucos, minimize-se as alterações sensoriais.

  2. Tenho uma filha de 4 anos e ela não consegue e não gosta de colocar roupa de frio..E muitas vezes quer até ficar peladinha….Sera que ela tem TPS?

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