Não é de hoje que o uso de medicamento vem sendo administrado para os diferentes males vivenciados pela humanidade para amenizar e até mesmo curar esses males.

No mundo de hoje onde tudo parece ser resolvido no imediatismo o uso indiscriminado de medicação é utilizado em diversas áreas e para diferentes finalidades. Desde emagrecer, acalmar, agitar, focar, e até mesmo para falar, isso mesmo, alguns são prescritos para falar, dando a impressão de que essas fórmulas irão resolver de modo mágico diferentes comportamentos inadequados.

Nesse post vou retornar um assunto já bastante debatido, mas que aparece de vez em quando no nosso dia a dia terapêutico: usar medicação exclui a necessidade de terapia nos casos de crianças com Transtorno do Espectro Autista?

Porquê se indica medicação?

Crianças que estão dentro do Espectro do Autismo apresentam diferentes comportamentos disfuncionais tais como: estereotipias vocais e manuais, atraso considerável de linguagem e inabilidades sociais, os quais levam os pais a não saberem como lidar na maior parte do tempo.

Os pais diante do diagnóstico são orientados a buscar rapidamente diferentes terapias (Fonoaudiologia, Psicologia, Terapia Ocupacional entre outras) que ajudarão a criança a regular-se dentro da sua condição desenvolvendo as habilidades que se apresentam em atraso.

O processo terapêutico é longo e às vezes os pais não conseguem administrar esse tempo de modo a não conseguir lidar com os comportamentos inadequados que “demoram” a desaparecer ou modificar-se. É nesse momento que a indicação de um medicamento aparece como algo mágico e que precisa ser muito pensado.

Nos casos de crianças com TEAo uso de medicamento parece ainda mais indicado para ajustar comportamentos de irritabilidade, agressividade, atenção, como algo milagroso. O pesquisador  Evdokia Anagnostou , cientista clínico sênior no Bloorview Research Institute em Toronto, Canadá alerta para o perigo do uso indiscriminado de medicamentos referindo que: “Os medicamentos não são boas opções de longo prazo, porque seus benefícios desaparecem quando um indivíduo deixa de tomá-los.”

Crianças necessitam ser moldadas no que diz respeito a parte comportamental aprendendo a lidar com suas próprias emoções e seu próprio corpo diante das diferentes adversidades do dia a dia. E isso a medicação não pode dar, somente uma terapia comportamental que analisará os desencadeadores e as consequências do comportamento poderão ofertar a criança a melhor conduta, ou melhor, um comportamento mais adequado a cada situação.

Medicação não ensina a criança habilidades sociais, autocontrole, percepção de si e do outro segundo Anagnostou, eles apenas funcionam como Band-aids.

Os médicos prescrevem os chamados medicamentos antipsicóticos “atípicos”, como aripiprazol, risperidona e ziprasidona, para irritabilidade, agressividade e outros comportamentos desafiadores em crianças com autismo. As drogas têm frequentemente efeitos colaterais, tais como o ganho do peso, os tics motores e um risco aumentado do diabetes, entre outros efeitos devastadores a longo prazo.

Aqui só estou colocando sobre o uso de medicação para amenizar os comportamentos inadequados, não vou entrar na questão de medicamentos para a criança falar. Essa conversa ficará para outro momento.

 O olhar dos terapeutas

Nós terapeutas entendemos o quão é angustiante aos pais conviver com comportamentos considerados inadequados em seus filhos, mas apostamos sem sombra de dúvida que o processo terapêutico é o caminho mais seguro para modificar as condutas dessas crianças, ou de qualquer criança que mesmo típica apresente tais comportamentos.

Identificar o que desencadeia os comportamentos inadequados, traçar objetivos a serem trabalhados por todos (terapeuta-família-escola) e mais do que isso conseguir o engajamento de todos é necessário para que os primeiros resultados possam ser observados.

Há casos que mesmo com um bom trabalho em conjunto irão precisar de medicação, sim isso pode acontecer, mas não pode a medicação ser o primeiro passo. O cérebro de uma criança é plástico e pode sim apresentar resultados satisfatórios diante de um processo terapêutico.

Ter uma conversa transparente com todos os profissionais que estejam envolvidos  no tratamento da criança bem como traçar objetivos que devem ser cumpridos por todos os que convivem com a criança, é sem dúvida, o caminho mais assertivo.

E você o que pensa depois de ter lido esse post? Deixe seu comentário, isso nos ajuda a pensar mais e mais em como auxiliar nossas crianças e famílias no desenvolvimento das mesmas.

 Até a próxima,

Fabiane Klann Baptistoti

Fonoaudióloga

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