Nos quadros de crianças que se encontram dentro do TEA a comunicação não verbal ou verbal é uma das habilidades mais afetadas. Diante desse panorama não podemos esquecer o quanto a parte auditiva está envolvida na dificuldade de comunicação verbal.

Os sinais do comportamento auditivo observados pelos pais são controversos, ou seja, os pais e/ou familiares percebem reações contraditórias na criança com TEA diante de um som. Dificilmente esses sujeitos respondem ao chamado de seu nome, ora se assustam com um simples barulho de um chocalho de brinquedo ao mesmo tempo em que não tem a menor reação a uma batida de porta ou ao estrondo de um trovão.

Essas respostas atípicas têm gerado questionamentos dos profissionais envolvidos (otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos) em relação ao envolvimento do processamento auditivo.

Os exames auditivos realizados inicialmente, quando os pais começam sua busca por um diagnóstico diante de uma linguagem verbal que não aparece, não necessitam da resposta da criança. São exames que verificam o funcionamento do aparelho auditivo e na maior parte dos casos de crianças com TEA os resultados tem se mostrado seguros, ou seja, uma criança com aparelho auditivo em funcionamento normal.

Para um diagnóstico diferencial na parte auditiva tem-se a possibilidade de serem realizadas avaliações objetivas e subjetivas. Os exames audiológicos realizados iniciam-se normalmente pelas medidas fisiológicas e objetivas os quais são:

Imitância acústica: verifica a mobilidade do sistema tímpano-ossicular e a integridade da via auditiva. Ou seja, pela imitância acústica é possível verificar se há algum impedimento no conduto auditivo externo e no ouvido médio (infecções, por exemplo) que estão impedindo a condução do som para a parte interna do aparelho auditivo.

Emissões otoacústicas por produto de distorção (EOAPD): avaliam a função coclear desde a espira basal até a espira apical e apresentam grande sensibilidade para detectar lesão das células ciliadas externas. Ou seja, avalia se a parte da orelha interna está com alguma alteração que impeça do som ser detectado e conduzido até o nervo auditivo.

Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE): é uma medida eletrofisiológica que avalia a integridade da via auditiva desde o nervo auditivo até o tronco encefálico. Esse exame vai mais além, ele investiga a parte de condução do som do nervo auditivo até as vias auditivas cerebrais (cérebro).

Importante salientar que os exames mencionados refletem as condições no momento de sua realização, sendo necessária a avaliação sequencial. Também de igual importância, é a comparação entre os resultados obtidos por métodos “objetivos” (emissões otoacústicas, timpanometria, reflexos estapedianos, potenciais evocados auditivos por clicks e pesquisa dos potenciais frequência-específico) e testes “subjetivos” confiáveis (avaliação comportamental, audiometria), já que todos se complementam.

Os métodos eletrofisiológicos de avaliação auditiva não são medidas diretas da audição, mas correlacionam-se com a sensibilidade auditiva, especialmente da função auditiva periférica. A avaliação sequencial sob orientação médica é muito importante para acompanhar a maturação e o desenvolvimento das vias auditivas.

O que alguns terapeutas têm observado em relação às habilidades de linguagem verbal é que há uma alteração na decodificação auditiva. Essa alteração investigada através de métodos eletrofisiológicos objetivos em indivíduos neurotípicos apontam para déficits quanto à localização, lateralização, discriminação auditiva e padrão de reconhecimento auditivo, o que pode sugerir um Distúrbio do Processamento Auditivo (DPAC).

Já há estudos que mostram através do exame de Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) que as crianças com TEA tiveram um tempo de transmissão auditiva significantemente mais longo no tronco cerebral quando comparadas às com desenvolvimento típico. Essa transmissão mais longa pode refletir uma velocidade diminuída da informação, por imaturidade ou déficit nas vias de transmissão, ou seja, a informação leva mais tempo para chegar ao cérebro. Por outro lado pode estar sendo influenciada pelo ruído ambiental.

Para nós terapeutas é importante que estejamos atentos as novas pesquisas na área da audiologia bem como as habilidades auditivas que envolvem o processamento auditivo, pois ainda que não seja possível a comprovação de um Distúrbio do Processamento Auditivo nos indivíduos com TEA, não podemos deixar de em terapia realizar atividades que favoreçam o desenvolvimento dessas habilidades buscando um processamento adequado da informação.

Ampliar nosso foco de atuação nas crianças com TEA é imprescindível quando estamos falando de crianças que necessitam melhorar sua comunicação seja ela verbal ou não verbal.

 

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