
O desenvolvimento infantil é um processo complexo e multidimensional que envolve várias habilidades sensório-motoras, cognitivas, de linguagem e sociais/emocionais. Para que esse processo ocorra de maneira harmoniosa, é fundamental que a criança tenha oportunidades adequadas de estimulação e suporte, especialmente quando surgem desafios que possam impactar sua evolução. Nesse contexto, a fisioterapia pediátrica desempenha um papel essencial, auxiliando no desenvolvimento neuropsicomotor e oferecendo intervenções que previnem e tratam condições que podem comprometer a qualidade de vida da criança, garantindo seu bem-estar e maior independência funcional.
Muitos pais têm dúvidas sobre quando procurar esse acompanhamento e como ele pode beneficiar seus filhos. Neste texto, vamos explorar como a fisioterapia pediátrica pode influenciar positivamente o desenvolvimento infantil e quando buscar ajuda especializada.
O que é a Fisioterapia Pediátrica?
A fisioterapia pediátrica é uma área da fisioterapia voltada para o atendimento de bebês, crianças e adolescentes que apresentam dificuldades motoras, atrasos no desenvolvimento, alterações posturais, respiratórias ou disfunções que afetam sua mobilidade e função. O objetivo principal é promover a funcionalidade e o desenvolvimento adequado.
O fisioterapeuta é responsável por avaliar, planejar e executar o tratamento de intervenção individualizado. As abordagens são adaptadas conforme a necessidade de cada paciente, levando em consideração sua idade, habilidades, motivação e queixas da criança e da família.
A fisioterapia pode ser indicada para crianças típicas que necessitam de estímulo para alcançar marcos motores, ou para aquelas com condições específicas, como paralisia cerebral, Trissomia 21 (Síndrome de Down), Transtorno do Espectro Autista, torcicolo congênito, escoliose, bronquiolite, asma, entre outras.
Como a fisioterapia auxilia no desenvolvimento infantil?
Algumas das principais formas de atuação são:
1. Estimulação Precoce
Quanto antes uma criança com dificuldades motoras receber o tratamento adequado, melhores são as chances de progresso, pois a primeira infância é a fase em que o cérebro está mais permeável a transformações provocadas pelo ambiente externo, ou seja, para se adequar às estimulações. A fisioterapia pediátrica pode ajudar a corrigir padrões de movimento inadequados e prevenir compensações que poderiam afetar o desenvolvimento futuro. Avaliações fisioterapêuticas na primeira infância auxiliam para identificar de forma precoce atrasos ou alterações e orientar os pais sobre a estimulação motora.
2. Promoção da Independência
A funcionalidade e autonomia da criança é a principal finalidade da fisioterapia pediátrica. De modo individualizado, o tratamento é direcionado às necessidades específicas de cada criança, seja para fortalecimento muscular, aumento da mobilidade ou aprimoramento da coordenação motora. Com isso, busca-se proporcionar mais independência para realizar atividades do dia a dia, como engatinhar, andar, correr, pular e brincar.
3. Prevenção de Complicações Ortopédicas
A diminuição do controle postural e de mobilidade pode levar a problemas ortopédicos, como encurtamentos musculares e desvios na coluna, assim como permanecer em posturas inadequadas, por exemplo sentar em postura de “W”, com aumento da cifose torácica, isto é, desabamento do tronco formando um “C”. A fisioterapia ajuda a prevenir essas complicações, garantindo um crescimento muscular mais equilibrado e saudável.
Em casos de condições ortopédicas, como torcicolo muscular congênito, pé torto congênito, alterações na marcha necessitam de tratamento fisioterapêutico, este auxilia na correção e prevenção de compensações e complicações.
4. Fisioterapia Respiratória
Para crianças com bronquiolite, asma ou outras doenças respiratórias, a fisioterapia pode melhorar a capacidade pulmonar, facilitar a eliminação de secreções, reduzir o risco de complicações respiratórias e otimizar as atividades funcionais, contribuindo para o desenvolvimento da criança.
Quando procurar um fisioterapeuta pediátrico?
Muitos pais têm dúvidas sobre o momento certo para buscar ajuda profissional. Estes são alguns sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação fisioterapêutica:
– Demora para atingir os marcos motores, como rolar, sentar, engatinhar ou andar;
– Rigidez muscular excessiva ou flacidez/fraqueza muscular excessiva;
– Assimetrias corporais e/ou alterações posturais: um lado do corpo mais alto do que o outro, utiliza mais um braço ou perna do que o outro;
– Caminhar na ponta dos pés de forma persistente;
– Diagnóstico de doenças neurológicas, ortopédicas ou respiratórias;
– Dificuldades na coordenação motora e no equilíbrio;
– Dificuldades em atividades físicas do cotidiano ou se cansa rapidamente.
O papel dos pais na fisioterapia pediátrica
Os pais desempenham um papel fundamental no tratamento fisioterapêutico. O envolvimento ativo na rotina de exercícios e na aplicação das orientações fornecidas pelo fisioterapeuta é essencial para a evolução da criança. A intervenção vai além da clínica, é construída com a participação da família. Além disso, a manutenção de um ambiente que favoreça a exploração e o desenvolvimento motor contribui para resultados mais eficazes.
A fisioterapia pediátrica é uma grande aliada no crescimento saudável dos pequenos, promovendo autonomia, prevenindo complicações e garantindo que cada criança possa explorar o mundo ao seu redor da melhor forma possível. Se houver qualquer preocupação, uma avaliação com um fisioterapeuta pediátrico pode ajudar a esclarecer dúvidas. Quanto mais cedo a intervenção, maiores são as chances de um desenvolvimento pleno e feliz!
Espero que este texto tenha ajudado você. Até a próxima leitura!
