Quando você encontrar a profissional que irá atender o seu filho (a), é importante ter compreensão dos passos que serão realizados ao longo do processo terapêutico.
O primeiro passo sempre será uma conversa com os pais, o que nós terapeutas chamamos de anamnese, e é com base nela que sabemos as preferências do seu filho, do que ele não gosta e as dificuldades que vocês percebem. É o momento de escuta ativa e acolhedora para a partir desse ponto, pensar em objetivos e estratégias de intervenção, ainda, é também neste momento que são feitos os acordos sobre a terapia e como você pai, mãe e família são importantes nesse processo e o papel de vocês.
No segundo momento, se inicia a psicoterapia e o seu filho irá brincar na sessão, mas isso ocorre porquê é por meio dela que os maiores vínculos são criados, e é pelo vínculo que as informações serão reveladas pelo seu filho e identificadas pelo terapeuta. Nesses momentos, a terapeuta compreende como o seu filho vê o mundo e como ele se vê nos espaços que frequenta. A forma como ele brinca diz muito sobre o que ele pensa, observa no dia a dia e assiste nas telas.
Com esses dois passos realizados, anamnese e os primeiros contatos com a criança, os objetivos são construídos, visando as demandas da família, da criança e do psicólogo e são trabalhados semanalmente, além das orientações parentais regulares. Isso é o que podemos chamar de fase inicial do processo terapêutico.
Ao longo do processo de psicoterapia, os objetivos vão sendo desenvolvidos, de acordo com as necessidades, sejam em relação a autonomia, regulação emocional, agressividade, passividade, dificuldade de se comunicar, dentre outros. São realizadas atividades, jogos e ensaios de situações para que seja possível acessar e trabalhar os temas dos objetivos. Deste modo, espera-se que a criança ou adolescente apresente essas habilidades fora do ambiente terapêutico de forma assertiva, sendo possível mensurar por meio auto relato, observação dos pais e familiares próximos, bem como através da percepção da escola, para analisar se de fato a criança e ou o adolescente está pronto para a fase final da psicoterapia.
Sendo assim o terapeuta incentiva esses novos comportamentos de forma enfática e inicia a alta, gradualmente e sempre explicando abertamente os fatores que levam à alta, podendo ser confeccionado algo concreto que represente esse período para a criança. A alta precisa ser gradual pois o vínculo construído ao longo das sessões é base para segurança e aprendizagem e quebrar este vínculo abruptamente pode gerar insegurança e sentimentos aversivos ao processo terapêutico e para a própria criança, afetando todo o processo que foi construído.
Contudo, caso haja necessidade de desligamento antes da alta prevista pelo terapeuta, há necessidade de pelo menos duas sessões para trabalhar o desligamento, sentimento e pensamentos a respeito desse período, pois a criança também precisa ter voz ativa nesse processo.
Até o próximo post!
