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Psicomotricidade infantil: o que é, para quem é indicada e como funciona

Cair muito, evitar brincadeiras de movimento ou ter dificuldade para se vestir nem sempre é só uma questão motora. Entenda o que a psicomotricidade trabalha, quando é indicada e como ela se diferencia da fisioterapia.

Por master-evolvere

9 min de leitura

Psicomotricidade infantil: o que é, para quem é indicada e como funciona

Quando uma criança cai muito, evita brincadeiras de movimento, apresenta dificuldade para se vestir, parece desajeitada ao correr ou pular ou tem dificuldade para organizar o corpo durante uma atividade, é comum que a família pense apenas em uma questão “motora”.

Mas o desenvolvimento infantil não funciona em compartimentos tão separados.

O corpo participa da forma como a criança explora o ambiente, brinca, aprende, se organiza, interage com outras pessoas e constrói progressivamente sua autonomia. É justamente nesse encontro entre movimento, percepção, cognição, emoção e relação com o ambiente que entra a psicomotricidade infantil.

Para as famílias que procuram psicomotricidade infantil em Florianópolis, compreender essa abordagem é especialmente importante antes de decidir se ela faz sentido para a necessidade da criança. Psicomotricidade não é simplesmente oferecer atividades de movimento, nem significa que toda criança agitada, desajeitada ou com dificuldade escolar precise desse tipo de acompanhamento.

O primeiro passo é entender o que está acontecendo no desenvolvimento daquela criança.

O que é psicomotricidade infantil?

A psicomotricidade considera o movimento como parte de um sistema muito mais amplo.

Quando uma criança sobe em um brinquedo no parque, por exemplo, não está utilizando apenas força muscular. Ela precisa perceber a posição do próprio corpo, calcular distâncias, ajustar equilíbrio, planejar a sequência de movimentos, adaptar-se caso algo saia diferente do esperado e coordenar suas ações com o espaço ao redor.

Em uma brincadeira com bola, outros componentes aparecem: observar a trajetória do objeto, antecipar movimentos, coordenar mãos e olhos, regular força, esperar sua vez e adaptar a resposta de acordo com o que outra pessoa faz.

Por isso, habilidades motoras, perceptivas, cognitivas e relacionais não se desenvolvem de maneira completamente independente umas das outras.

O movimento não é apenas aquilo que a criança “faz com o corpo”. Ele também participa da forma como ela percebe o próprio corpo, organiza suas ações, explora o espaço e responde às exigências do ambiente.

O que é trabalhado na psicomotricidade infantil?

Dependendo da avaliação e dos objetivos definidos para cada criança, diferentes componentes podem ser trabalhados.

Entre eles estão consciência corporal, equilíbrio, coordenação motora global, lateralidade, organização espacial e temporal, planejamento motor e capacidade de organizar sequências de movimentos.

Mas o trabalho não se limita ao desempenho físico.

Durante uma proposta corporal, a criança também pode precisar compreender instruções, manter atenção, tolerar mudanças, esperar, ajustar seu comportamento, resolver pequenos problemas e interagir com o terapeuta.

É justamente por isso que duas crianças aparentemente com a mesma dificuldade podem precisar de intervenções diferentes.

Uma criança pode cair frequentemente porque apresenta dificuldade de equilíbrio. Outra pode ter boas habilidades motoras, mas agir de maneira impulsiva e iniciar movimentos antes de avaliar adequadamente o ambiente. Uma terceira pode evitar determinados brinquedos porque não consegue planejar bem os movimentos necessários e passa a perceber aquele tipo de atividade como difícil ou insegura.

O comportamento observado pode ser parecido. O que está por trás dele, não necessariamente.

Quando a psicomotricidade pode ser indicada?

Existem alguns comportamentos que podem justificar uma avaliação mais cuidadosa do desenvolvimento psicomotor.

Uma criança pode apresentar dificuldade para correr, saltar, subir e descer obstáculos ou acompanhar brincadeiras que exigem movimentos coordenados. Pode esbarrar constantemente em objetos ou pessoas, apresentar insegurança em escadas ou evitar parquinhos e atividades físicas.

Outras dificuldades aparecem em tarefas do cotidiano.

Vestir uma camiseta, colocar um calçado, organizar os movimentos para utilizar talheres, posicionar o corpo adequadamente para sentar à mesa ou planejar os passos necessários para realizar determinada atividade também envolvem componentes motores, perceptivos e de planejamento.

Em crianças maiores, algumas dificuldades podem ficar evidentes durante atividades escolares. Organizar-se no espaço da folha, compreender relações espaciais, coordenar movimentos em atividades esportivas ou executar tarefas que exigem planejamento motor podem se tornar situações desafiadoras.

Nenhuma dessas características, isoladamente, significa que a criança necessariamente precise de psicomotricidade.

Elas são pontos de observação.

A indicação deve partir da análise do desenvolvimento da criança, das dificuldades que realmente interferem em sua participação e daquilo que está sendo esperado para sua faixa etária.

Fisioterapia infantil e psicomotricidade: qual é a diferença?

Essa é uma dúvida muito comum, especialmente porque as duas áreas trabalham com o corpo e com o movimento.

A fisioterapia infantil costuma ter um olhar mais diretamente voltado aos aspectos motores e funcionais, como postura, equilíbrio, força, mobilidade, coordenação, marcha e aquisição de habilidades motoras. O fisioterapeuta avalia como a criança se movimenta, quais estratégias utiliza e se existem limitações que interferem na sua funcionalidade e participação nas atividades do dia a dia.

A psicomotricidade amplia esse olhar para a forma como a criança organiza e utiliza o corpo em relação ao espaço, ao tempo, às emoções, ao pensamento e às outras pessoas.

Nesse contexto, o movimento não é observado apenas como desempenho motor, mas também como parte da maneira como a criança planeja suas ações, percebe o próprio corpo, se orienta no ambiente e responde às diferentes demandas.

Na prática, essas áreas frequentemente se encontram.

Uma criança que apresenta dificuldade para realizar um circuito motor, por exemplo, pode precisar desenvolver equilíbrio, coordenação e controle postural, aspectos diretamente relacionados à fisioterapia. Mas também pode precisar melhorar planejamento motor, organização espacial, compreensão da sequência da atividade e capacidade de ajustar o próprio corpo diante de mudanças, componentes que podem ser trabalhados dentro de uma abordagem psicomotora.

Da mesma forma, uma criança que evita brincadeiras no parque pode apresentar insegurança motora, dificuldade de equilíbrio ou baixa coordenação. Mas também pode ter dificuldade para organizar o próprio corpo, planejar uma sequência de movimentos ou perceber adequadamente sua posição em relação ao espaço.

Por isso, não se trata de escolher entre fisioterapia e psicomotricidade como se uma substituísse a outra.

Em alguns casos, a própria fisioterapia pode incorporar uma abordagem psicomotora, integrando objetivos motores, perceptivos e funcionais dentro das atividades. Em outros, determinadas habilidades podem precisar receber maior ênfase de acordo com a necessidade apresentada pela criança.

O mais importante é que a indicação não seja feita apenas pelo nome da área, mas pela compreensão de quais habilidades estão interferindo na participação, autonomia e desenvolvimento daquela criança.

Psicomotricidade não é simplesmente “gastar energia”

Esse também é um ponto importante.

Uma criança pode sair cansada de uma atividade física e, ainda assim, nenhum objetivo psicomotor específico ter sido trabalhado.

Em uma intervenção estruturada, existe intenção terapêutica.

Se o objetivo envolve planejamento motor, por exemplo, o terapeuta pode propor um circuito no qual a criança precise observar o ambiente, compreender uma sequência, decidir como realizar cada etapa, executar os movimentos e ajustar sua estratégia diante de erros.

Se a dificuldade está relacionada ao equilíbrio, as propostas serão organizadas de outra maneira.

Se existe dificuldade importante de consciência corporal, outras experiências e pistas serão necessárias.

Por fora, muitas dessas atividades realmente parecem brincadeiras.

E isso é desejável.

A brincadeira é uma das principais formas pelas quais a criança explora o mundo e aprende. A diferença está no planejamento que existe por trás da atividade e na forma como o profissional modifica a proposta de acordo com as respostas apresentadas pela criança.

Como a psicomotricidade conversa com outras áreas do desenvolvimento?

Esse é um dos pontos mais relevantes dentro de uma clínica interdisciplinar.

Uma dificuldade corporal raramente deve ser analisada sem considerar o restante do desenvolvimento.

Imagine uma criança que evita atividades coletivas no parque.

A observação isolada poderia levar alguém a pensar em dificuldade de interação social. Mas essa criança talvez queira brincar com os colegas e simplesmente não consiga acompanhar atividades que exigem correr, pular ou coordenar movimentos rapidamente.

O contrário também pode acontecer.

Uma criança pode possuir boas habilidades motoras, mas ter dificuldade para participar de uma brincadeira em grupo porque não compreende bem as regras sociais, não consegue negociar com os colegas ou apresenta rigidez diante das mudanças propostas por outras crianças.

Da mesma forma, dificuldades na execução de determinadas tarefas escolares podem envolver aspectos motores, perceptivos, linguísticos, atencionais ou de aprendizagem.

Por isso, o raciocínio interdisciplinar faz diferença.

Fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia e outras áreas podem observar aspectos diferentes de uma mesma situação e construir objetivos complementares quando necessário.

Como funciona a psicomotricidade infantil no Evolvere?

No Evolvere Neurodesenvolvimento, a psicomotricidade é integrada à fisioterapia infantil, permitindo que o movimento seja analisado tanto em seus aspectos motores e funcionais quanto em sua relação com percepção corporal, planejamento, organização espacial, atenção e participação.

Antes de definir objetivos, é necessário compreender como a criança se movimenta, explora o ambiente, organiza o próprio corpo e responde às diferentes demandas propostas.

A partir dessa avaliação, podem ser planejadas experiências corporais e lúdicas voltadas para habilidades como equilíbrio, consciência corporal, lateralidade, organização espacial e temporal, coordenação e planejamento motor.

As atividades são ajustadas ao nível de desenvolvimento e ao repertório da criança, respeitando aquilo que ela já consegue fazer e identificando quais suportes ainda são necessários para avançar.

Quando existem outras demandas de desenvolvimento, o caso também pode ser discutido de maneira interdisciplinar para que diferentes profissionais trabalhem em direção a objetivos coerentes entre si.

Isso evita uma visão fragmentada, em que cada profissional olha apenas para uma pequena parte da criança.

Nem toda dificuldade motora precisa apenas esperar para “amadurecer”

Existe uma tendência de atribuir algumas dificuldades infantis simplesmente ao tempo.

“Ele sempre foi meio desastrado.”

“Ela nunca gostou muito de parque.”

“Ele vai ganhar confiança quando crescer.”

Em alguns casos, realmente existe apenas uma variação individual do desenvolvimento.

Em outros, aquela dificuldade permanece, começa a limitar experiências e interfere na autonomia, nas brincadeiras, na aprendizagem ou na participação da criança.

O objetivo de uma avaliação não é transformar qualquer diferença em problema.

É justamente compreender se aquilo faz parte da variabilidade esperada para aquela criança ou se existe uma habilidade que merece atenção específica.

Quando uma criança evita repetidamente determinadas experiências porque são difíceis demais para ela, o tempo sozinho nem sempre é suficiente para oferecer as oportunidades necessárias para que aquela habilidade seja construída.

Se você percebe dificuldades relacionadas ao movimento, equilíbrio, organização corporal, planejamento motor ou participação nas atividades do dia a dia, converse com a equipe do Evolvere.

Uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender melhor o desenvolvimento da criança e definir se existe indicação de acompanhamento em psicomotricidade infantil, fisioterapia ou de investigação conjunta com outras áreas do desenvolvimento.

Equipe editorial Evolvere

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