Como terapeutas da linguagem nosso dia a dia na clínica é sempre regado de muita ansiedade por parte dos pais e, muitas vezes, de nós mesmas em relação ao desenvolvimento da comunicação de uma criança. Os pais sempre nos questionam sobre quando seus filhos irão falar. Falar sempre é o objetivo maior. Mas antes de pensarmos na comunicação verbal muitos outros objetivos e caminhos deverão ser percorridos como levar a criança ao aprendizado da comunicação pré-verbal, por exemplo.

Esses fatores são observados na avaliação inicial e nos primeiros meses de intervenção. Para algumas crianças a indicação de comunicação alternativa é imediata e para outras sugere-se iniciar intervenção fonoaudiológica e verificar o desenvolvimento de habilidades a curto prazo.

Recomenda-se que nos primeiros 3 meses de intervenção multidisciplinar o fonoaudiólogo já observe avanços na aquisição da linguagem e na produção de fala. Mas em alguns casos observa-se pouco ou nenhum ganho quando a terapia fonoaudiológica é pautada em produção de fala e a comunicação caminha a passos lentos. E isso gera mais ansiedade ainda a todos que estão envolvidos no processo de desenvolvimento da comunicação. Nesse caso é urgente pensar em outras maneiras de levar a criança a desenvolver-se, pois independente da comunicação verbal aparecer em algum momento precisamos antes de tudo garantir que a criança consiga de fato se comunicar e, principalmente, que a criança desenvolva outras habilidades cognitivas e sociais que se relacionam com a comunicação.

Nesse momento é se faz necessário uma conversa franca entre terapeuta e família sobre o desenvolvimento sociocomunicativo da criança e sobre comunicação alternativa e aumentativa.

Mas afinal, o que é comunicação alternativa e aumentativa?

A comunicação alternativa e aumentativa ou CAA é um tipo de tecnologia assistiva que pode ser utilizado com qualquer pessoa que apresente dificuldades complexas de comunicação. O objetivo principal é dar suporte e outras opções para o desenvolvimento de uma comunicação funcional, ampliando o repertório comunicativo da criança, a partir do momento em que ela não está limitada ao ato de falar, passando a serem considerados todos os comportamentos possíveis de serem interpretados como comunicação e respostas na interação como toques, olhares, movimentos corporais, movimentos oculares, vocalizações e muito mais.

Gosto de sempre explicar aos pais que cognição e linguagem se relacionam, assim como existem muitos fatores emocionais envolvidos na comunicação. Também já falamos por aqui que tempo é ouro quando se trata de desenvolvimento infantil, por isso o grande objetivo de implementar um sistema de comunicação alternativa é levar a criança a se comunicar, a conseguir integrar-se socialmente, se fazer compreender e ser atendida nas suas necessidades e desejos. E, principalmente, impedir que a criança desenvolva comportamentos interferentes por conta da dificuldade em se comunicar como agressividade ou isolamento.

E para isso, é importante que os pais, toda família e rede de apoio da criança se engajem nesse processo, demonstrando as múltiplas formas de comunicação e como nós nos interessamos em nos conectar com ela através da comunicação.

Até o próximo post,

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