
Inicialmente é importante destacar a diferença entre os conceitos de fala e linguagem, tão conhecidos e comentados no dia a dia da prática clínica, seja com os pais ou com a equipe interdisciplinar.
A linguagem está relacionada ao conteúdo, a mensagem que o indivíduo deseja transmitir para manifestar suas ideias, desejos ou necessidades, seja do modo verbal ou não-verbal, deste modo ela é complexa e está atrelada ao desenvolvimento cognitivo. Envolve os aspectos fonológicos (trocas, omissões de sons), o vocabulário (conhecimento de animais, alimentos, entre outros), aspectos morfossintáticos no nível da construção de palavras e frases e a pragmática que se refere ao seu uso funcional.
Já a fala está relacionada à execução, ao ato motor propriamente dito para a transmissão da mensagem. Envolve a participação dos órgãos fonoarticulatórios, como língua, dentes, músculos, que de forma íntegra e planejada trabalham para a realização deste movimento motor. Deste modo, fala e linguagem caminham juntas. Para que ocorra a fala é preciso do conteúdo a ser transmitido.
Quando se trata do desenvolvimento de fala e linguagem muitas estratégias são utilizadas na prática clínica e uma delas é a utilização de músicas. Em indivíduos com transtornos neurodegenerativos, por exemplo, como alzheimer ou parkinson, o uso de músicas que fizeram parte da vida do indivíduo ao longo da vida, permitem deixar o momento terapia descontraído e relembrar as lembranças de momentos vivenciados ao longo da vida, trazendo bem-estar e qualidade de vida, além da estimulação de diversos conteúdos.
Quando falamos de crianças, a música permite por meio do lúdico, a construção do conteúdo semântico e da organização do ato motor. Músicas como “Seu Lobato”, por exemplo, que faz referência ao conceito de lugar (fazenda) e seus componentes (animais) estimulam o desenvolvimento da linguagem. Além disso, ao imitar ou emitir o som (onomatopeias) que os animais presentes na fazenda fazem, como “muuuu” da vaca, o “qua-qua” do pato e o “au-au” do cachorro, a criança estará pronunciando pequenas palavras, monossilábicas com maior facilidade de produção, para posteriormente emitir palavras maiores, com um maior número de sílabas ou com consoantes mais difíceis de produzir.
Deste modo, além de ser um momento de aprendizado, torna-se um momento de descontração, que também pode ser utilizado em diversos outros ambientes, como em casa, na escola e parques. E vocês? Gostam de músicas? Utilizam com seus filhos? Se sim, deixe nos comentários uma música que você gosta para compartilharmos esse momento juntos.
