Como são tratadas as desordens da fala?

Em post anterior sobre o desenvolvimento da Fala e suas desordens conversei com você leitor sobre o que vem a ser os diagnósticos de Distúrbios Articulatórios, Distúrbio Fonológico, Disartria e Apraxia de Fala na Infância apresentando as características de cada quadro. Nesse post conversarei sobre a forma de tratamento em cada uma desses quadros.

Inicio a explanação pelo Distúrbio Articulatório, que como já vimos trata-se de dificuldades na organização motora para a produção de um determinado som. Nesses casos o tratamento muitas vezes inicia pela aquisição de um ponto articulatório isolado, aquele de produção mais fácil para o paciente. Faz-se a aquisição do fonema isoladamente para depois produzir o som em palavras, depois para sentenças e, eventualmente, produzir o som corretamente na fala conversacional. Pode envolver treinamento auditivo e algumas possibilidades de biofeedback visual ou tátil.

No Distúrbio Fonológico o tratamento pode envolver o uso de uma variedade de técnicas dependendo das necessidades específicas de cada criança e do fonema-alvo. Temos como formas de tratamento as Terapias por Contraste tais como o trabalho com pares de oposição mínima ou oposições máximas; Abordagem por Ciclos e o Treinamento da Percepção dos Sons da Fala que envolvem bombardeio auditivo,  identificação da produção correta em contraste com a produção incorreta de fonemas alvos.

Na Disartria o tratamento envolve a escolha de abordagens que aumentarão o suporte fisiológico à fala aumentando o controle e a força dos subsistemas de fala que são: respiração, fonação, articulação e ressonância. O tratamento visa desenvolver repertório de sons da fala e sílabas; melhorar o volume o tom e a qualidade vocal; melhorar a prosódia para dar maior suporte a inteligibilidade de fala e desenvolver estratégias compensatórias (controle da postura e dos movimentos articulatórios exagerados). Ainda há necessidade de melhorar  as estratégias de comunicação eficazes (aumentando o contato visual, gestos e expressão facial, encontrar um lugar mais calmo para se comunicar ou se aproximando do parceiro em ambientes barulhentos). Devemos ensinar a criança a reconhecer quando ocorreu uma falha de comunicação e estratégias para reparar o erro quando o mesmo acontecer. E ainda implementar formas de comunicação aumentativa quando estas se fizerem necessárias.

Por fim, temos o quadro de Apraxia de Fala. Aqui as bases de tratamento envolvem os princípios da aprendizagem motora (confiança e motivação para estabelecer o sucesso precocemente, atenção e esforços com foco no alvo, compreender o objetivo do tratamento – praticando o movimento e capacidade de seguir instruções em terapia e tentar tarefas de imitação.  Para que aconteça essa aprendizagem faz-se necessário a pré-pratica, condições de prática e condições de feedback.

Sabendo dessas formas de tratamento os profissionais tem condições de se preparar da melhor forma possível levando seus pacientes ao maior desenvolvimento dentro das suas condições.

Até breve!

Fabiane Klann Baptistoti

Fonoaudióloga

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