Revisitando a forma de diagnosticar o Autismo

Muito se tem falado sobre quem incluir ou não dentro do Espectro do Autismo desde o lançamento do DSM-5. Alguns manifestos aconteceram nos EUA por adultos que haviam recebido seu diagnóstico de Síndrome de Asperger e haviam crescido dentro dessa condição e usufruindo dos benefícios que a mesma trouxe em suas vidas tais como: possibilidades de serem inclusos em grupos terapêuticos, benefícios em planos de saúde entre outros.

Tais pessoas ao se depararem com a nova versão do DSM-5 ficaram impactados com a exclusão da Síndrome de Asperger assim como do Transtorno Desintegrativo da Infância como uma condição autista. Inúmeros questionamentos passaram a acontecer.

 

Vamos rever um pouco da história desse diagnóstico.

 

O termo autismo surgiu em 1943 com Kanner publicando sobre essa condição, referindo-se a sujeitos extremamente alheios ao outro, com ecolalias tardias e com muita necessidade de manter os mesmos comportamentos. Uma condição psiquiátrica caracterizada até então como esquizofrenia infantil marcada por um profundo distanciamento da realidade.

Na década de 1980 o DSM-III trouxe outra forma de ver o autismo, como uma condição única diferente da esquizofrenia. Os estudos dessa época mostravam um envolvimento do cérebro e nessa versão do manual houve a inclusão de uma lista de critérios para o diagnóstico: falta de interesse pelas pessoas, graves deficiências na comunicação e respostas bizarras ao meio ambiente, todas se desenvolvendo nos primeiros 30 meses de vida.

Essa visão da condição durou até os meados de 1987 quando foi inclusa a condição leve (transtorno autista não especificado) e eliminada a necessidade de acontecer antes dos 30 meses.

Essa versão listou 16 itens dos quais 8 deveriam ser atendidos pelos sujeitos candidatos. Incluir a condição leve garantiu que crianças que mostrassem necessidade de auxílio para o seu desenvolvimento pudessem ter acesso aos atendimentos.

Em 1994 e revisado em 2000 o autismo foi caracterizado como um Espectro. Essa versão incluiu outras condições como a Síndrome de Asperger (ainda na condição mais leve), o Transtorno Desintegrativo da Infância e a Síndrome de Rett. Nessa época o autismo já era visto como algo ligado a genética.

Nos anos 1990 e persistindo até 2003 as pesquisas voltaram-se para encontrar bases genéticas que fossem comuns a estas condições, porém as pesquisas mostraram que seria impossível encontrá-las.

Em 2000 houve uma primeira explosão nos casos diagnosticados com autismo, mas também ficou claro que muitos médicos estavam sendo influenciados pelo que os pais falavam sobre a história de desenvolvimento de seus filhos.

 

A vinda do DSM-5 traz o termo TEA – Transtorno do Espectro Autista. Este diagnóstico é caracterizado por dois grupos de características: “comprometimento persistente na comunicação social recíproca e interação social” e “padrões restritos e repetitivos de comportamento” presentes na primeira infância. Cada grupo inclui comportamentos específicos. Nessa versão foi eliminada a condição a Sindrome de Asperger, o Transtorno Desintegrativo da Infância e a Sindrome de Rett do mesmo grande grupo.

Em 2013 antes mesmo do manual ser lançado alguns indivíduos e seus familiares já se preocupavam, pois temiam perder suas coberturas de seguros e atendimentos terapêuticos, com a exclusão destes no DSM-5. Esse fato gerou controvérsias na área médica e novamente a condição autista começou a ser repensada.

Como resolver essa questão tendo em vista que diariamente crianças são colocadas no grupo de risco para o autismo por apresentar algumas características relacionadas ao seu desenvolvimento de linguagem, comportamento e relações sociais?

Como não há previsão para uma nova versão do DSM-5 a comunidade médica tem pensado em seguir outros manuais tais como a CID – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, cuja nova versão a 11 deve estar sendo publicada ainda esse ano. Na CID-11, os critérios para o autismo passam para uma nova seção dedicada ao Transtorno do Espectro Autista. Em vez de exigir um número definido ou uma combinação de recursos para um diagnóstico, ele lista os recursos de identificação e permite que os clínicos decidam se as características de um indivíduo correspondem. Como o CDI é destinado ao uso global, ele também define critérios mais amplos e menos específicos culturalmente do que o DSM-5.

 

A CID-11 também fará uma distinção entre autismo com e sem deficiência intelectual e destaca o fato de que indivíduos e mulheres mais velhos às vezes mascaram seus traços de autismo.

Não sabemos se essa classificação irá solucionar os questionamentos acerca da inclusão ou não de sujeitos dentro do espectro, mas torcemos para que os casos possam ser melhor olhados, permitindo que os profissionais possam ser mais elucidativos aos familiares desses sujeitos.

 

Até a próxima,

Fabiane Klann Baptistoti

Fonoaudióloga Clinica

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