As funções executivas são um conjunto de processos cognitivos essenciais para o comportamento humano, que compreende a capacidade de planejar, tomar decisões, organizar tarefas, controlar impulsos e regular as emoções. Essas habilidades são fundamentais para a realização de atividades diárias, mas também têm um impacto direto no processo de aprendizagem. Para muitas crianças, dificuldades em funções executivas podem se manifestar como desafios na escola e no contexto social, afetando o desempenho acadêmico, a adaptação nos ambientes e o desenvolvimento emocional. Sob esse viés, o papel da neuropsicopedagogia entra em cena, oferecendo uma abordagem personalizada para identificar e intervir nessas dificuldades.

As funções executivas são compostas por um conjunto de habilidades cognitivas incluindo a capacidade de:
– Planejamento e organização: a habilidade de elaborar e executar uma ação, de pensar antes de agir.
– Controle inibitório: o controle de inibir uma resposta/comportamento, como a capacidade de esperar pela vez ou evitar comportamentos inadequados.
– Memória de trabalho: o armazenamento de informações enquanto realizamos tarefas cognitivas.
– Flexibilidade cognitiva: a capacidade de mudar o foco e adaptar estratégias diante de mudanças ou novas informações, essencial para a resolução de problemas.
– Regulação emocional: o controle das emoções, especialmente em situações de frustração ou estresse, permitindo uma resposta mais adequada.

Quando há dificuldades nas funções executivas, as crianças podem apresentar desafios em várias áreas do aprendizado. Por exemplo, uma criança com dificuldades de memória de trabalho pode ter dificuldade em reter informações enquanto executa uma ação, como resolver um problema de matemática ou acompanhar uma explicação do professor. Já uma criança com dificuldades de planejamento e organização pode apresentar dificuldades para concluir tarefas em tempo hábil ou seguir uma sequência lógica. A flexibilidade cognitiva quando comprometida, a criança pode ter dificuldade em adaptar-se a novas situações ou estratégias de aprendizagem, prejudicando seu desempenho.

Por isso, a neuropsicopedagogia se torna uma área de atuação primordial no diagnóstico e intervenção relacionadas às funções executivas. Uma vez identificadas as áreas de dificuldade, o profissional pode elaborar estratégias pedagógicas personalizadas que visam fortalecer as funções executivas afetadas. Por exemplo, para crianças com dificuldades de planejamento, o profissional pode recomendar o uso de recursos visuais ou listas de tarefas, além de treinar habilidades de organização, realizando atividades práticas. Para crianças com dificuldades na flexibilidade, propõe-se recursos de ação e reação ou mudanças nas regras de jogo. No caso do controle inibitório, sugere-se jogos como “Stop”, pois ele deverá controlar seu impulso e a resposta automática.

Algumas estratégias pedagógicas eficazes para o desenvolvimento das funções executivas incluem ainda:
– Segmentação de tarefas complexas: dividir atividades em etapas menores e mais gerenciáveis;
– Uso de recursos visuais: como agenda ou checklists, que ajudam a criança a planejar, lembrar e organizar suas tarefas;
– Exercícios de flexibilidade cognitiva: atividades que incentivam a adaptação a novas informações e mudanças;
– Treino de habilidades de memória: estimulamos em diferentes contextos a memória visual, auditiva e verbal.

O trabalho do neuropsicopedagogo não se limita à identificação e intervenção inicial. O acompanhamento contínuo é importante para monitorar o progresso e ajustar as demandas conforme necessário. A colaboração e alinhamento entre o neuropsicopedagogo, a escola e a família garante que as estratégias de intervenção sejam generalizadas no cotidiano da criança. Por fim, destacamos o quanto o aperfeiçoamento dessas funções ajudam o indivíduo a se adaptar e a seguir se desenvolvendo.

Aproveitem as dicas!

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