A caminhada de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é composta por muitas peças, contudo a mais importante delas não está apenas dentro da clínica: está em casa.
A orientação parental, não é um suporte informativo, é um processo técnico, na qual o terapeuta irá construir em conjunto a família os manejos comportamentais diante situações específicas, compreender os facilitadores e dificultadores no dia a dia, oportunidades de ensino naturalístico e também acolher, compreender a dinâmica familiar, bem como os estilos parentais e como isso afeta, desde a dinâmica familiar, ao convívio do próprio casal, que afeta a criança.
Em muitas situações, é comum que a criança demonstre habilidades sob o controle do terapeuta, mas não as generalize para o ambiente doméstico, por exemplo. Logo, com a falta de engajamento parental frequente, corre-se o risco do progresso ficar restrito ao ambiente clínico, retardando a autonomia real da criança no dia a dia. Diante disso, é fundamental que os responsáveis se engajem e proporcionem na medida do possível experiências sociais de acordo com as habilidades da criança, a exposição gradual a múltiplos ambientes, faz diferença no processo terapêutico, principalmente para a generalização e aquisição de habilidades.
Os pais são os principais responsáveis pelas mudanças no desenvolvimento de uma criança com Transtorno do Espectro autista (TEA). Estudos científicos dos últimos anos demonstram que pais treinados para identificar as funções do comportamento e como manejar contingências, transformam rotinas comuns em oportunidades de aprendizado contínuo, de forma que a criança se sinta acolhida e segura.
Além disso, quando há engajamento dos pais em orientações parentais frequentes, além da criança obter mais oportunidades de ensino e aumentar a aquisição de repertórios, é comprovado que compreender alguns “porquês” de determinados comportamentos diminui o estresse parental. Os pais não são terapeutas mas precisam saber manejar da melhor forma possível, com orientações pautadas em ética, de acordo com o plano individualizado do seu filho e com estratégias específicas.
Pensando nisso, alguns benefícios da orientação parental regular envolvem a:
1. Aceleração da Aprendizagem: Quando as estratégias da clínica são replicadas em casa, a criança recebe estímulos consistentes.
2. Redução do Estresse Familiar: Ao entender a função dos comportamentos desafiadores, os pais substituem a frustração por estratégias de manejo eficazes, melhorando o clima emocional da casa.
3. Generalização Real: O engajamento dos pais garante que o que foi aprendido na mesa do terapeuta seja aplicado na hora do banho, no supermercado, nas interações sociais e no aprendizado escolar.
Vale lembrar que, a orientação parental não é baseada em “dicas genéricas”, mas em dados e planos de ensino individualizados. Faz diferença escolher uma equipe de alta qualidade técnica, isso garante que o esforço da família se transforme, de fato, em qualidade de vida e independência para a criança.
Até o próximo post!
