Observar bebês movendo é uma fofura, e eu não tenho dúvidas que essa é uma opinião unânime entre todos aqueles que convivem com bebês; seja por laços familiares ou por laços profissionais. Entretanto, como fisioterapeuta que atende bebês há mais de 10 anos, compartilho que parte do meu trabalho é ir além desse encantamento. É buscar respostas acerca do desenvolvimento infantil através dos movimentos apresentados por esses pequenos.
Os movimentos dos bebês começam cedo, entre a sexta e a sétima semana de gestação, quando ainda são considerados fetos. Porém, como são bem pequenos, os movimentos são muito sutis. E dessa forma, os movimentos só são sentidos pelas mamães por volta do terceiro ou quarto mês.
De forma geral, a movimentação dos bebês é uma forma de comunicação e expressão das capacidades sensório-motoras que pode indicar um desenvolvimento infantil típico, ou a presença de sinais e manifestações de futuras disfunções neurológicas. Tais disfunções geram conflitos entre o que o bebê dessa determinada faixa etária apresenta como repertório, e o que seria de fato, esperado para a faixa etária dele de forma específica. O pouco repertório motor é um grande indício para uma condição comum nos consultórios: o ATRASO DE DESENVOLVIMENTO, um dos principais preditores de transtornos do desenvolvimento na infância.
Todos os recém-nascidos e bebês têm características próprias que envolvem múltiplos fatores: maternos, fetais, neonatais, biológicos, e ambientais, além de alguns mais. Todavia, o desenvolvimento motor típico segue a mesma trajetória para todos, não há exceção. E estando o bebê em qualquer faixa etária, já existe um conjunto de movimentos e marcos motores esperados para esse neném. Se por algum motivo esse bebê não consegue alcançar a movimentação ou o repertório esperado de movimentos para a faixa etária dele, podemos dizer que ele tem atraso de desenvolvimento.
A avaliação dos movimentos dos bebês ajuda na identificação precoce de desvios no desenvolvimento, oferecendo a oportunidade de intervenção precoce. Vou compartilhar aqui seis perguntinhas que os ajudarão a treinar esse olhar em casa mesmo: 1) Seu bebê mexe sozinho? 2) Ele consegue mudar a própria posição? 3) Ele faz contato visual? 4) Ele identifica o lado da voz ou ruído? 5) Ele demonstra interesse por objetos ou brinquedinhos que são apresentados a ele? 6) Ele dá sinais que precisa de algo? Por exemplo: chorar ao sentir fome ou estar com fralda suja, bocejar, emitir sons que sugerem queixas.
Entender e atender às necessidades expressas dos bebês é crucial para um crescimento saudável, em aspectos físicos e emocionais. Essa visão nos convida a ver o desenvolvimento infantil de forma global, considerando todos os sistemas envolvidos: sensório-motor, musculoesquelético, cognitivo, visual, auditivo, de linguagem, e assim por diante. Essa visão nos convida a priorizar a promoção do desenvolvimento saudável em um contexto mais vasto do que o de vê-lo realizar funções motoras: rolar, sentar, andar, falar, etc.
Gostaria de deixar um encorajamento especial aos pais para maior atenção diária dos movimentos dos bebês. Minha convocação é que observemos todos os movimentos cotidianos do bebê: como mama, como deglute, como respira, como emite som, como reage ao ouvir uma voz humana ou ruído, como brinca, como chora, como sorri, como explora o ambiente, como observa adultos conhecidos e desconhecidos, e como interage com outras crianças. Observar os movimentos do bebê vai tornar a família capaz de reconhecer sinais de atraso precoce, e ainda, aumentar as ferramentas familiares para a descoberta dos desejos dos bebês, além de fortalecer o vínculo emocional, e proporcionar a esse pequeno ser um ambiente seguro, acolhedor e incentivador para o desenvolvimento saudável.
Até o próximo post!
